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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Tristeza

LUTO
Sou petista e estou de luto. De Luto pela ignorância de alguns compatriotas que desconhecem democracia , desconhecem o que representam os 3 poderes da República, desconhecem o Poder do Legislativo e, sequer, analisam o poder do PMDB, este partido, aliado em todos os Estados da federação, ocupa os cargos mais decisivos do Congresso. Também não sabem que o real poder do governo está no Congresso. - o Legislativo.

Assusto-me! Estou fora de sintonia neste mundo. Penso viver em um país de regime democrático, mas estou pressentindo uma "democracia nazista", uma democracia norteada pelo ódio a um partido, o PT. Tem-se uma visão estreita ( para não dizer mesquinha) de que o Partido dos Trabalhadores é um partido de e para pobres, aqueles que fazem crediário nas casas Bahia (propaganda vai de graça), que sobrevivem do Bolsa Família (sobreviver é forte, quem conhece o projeto sabe que, se for só Bolsa Família, sobremorre) . Há um "nazismo" contra os pobres. Se for pobre e nordestino então f... Inclusão social é expressão de outro planeta.

Estou de luto pelo desconhecimento de algumas pessoas que insistem em não reconhecer o que é não varrer para debaixo do tapete as trapaças existentes na prática política e não admitem, por preconceito, a acão de um governo que colocou o judiciário para trabalhar  e julgar os culpados. O julgamento ocupou as telas da TV e jornais por dias.

Estou de luto por quererem mudanças propostas pelo PSDB. Que mudanças??!!??
Desprivatizar o que já foi privatizado? Esclarece à população em que o dinheiro foi aplicado? Não ter mais compra de votos no Congresso? Mais privatizações?

Pior do que ignorar é não querer aprender. Mas, sempre terão o meu respeito pelo direito à opinião. E sempre petista serei. Compreendo que para alguns, serei otimista por ansiar por menos desigualdades sociais... mas eu tenho argumentos e esperança. o ódio não habita  meu ser.



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Há dias


Há dias nublados


“ .... tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...”

Acho que é do Chico Buarque.

Há dias...acordamos e perguntamos: Por quê? Para quê? Dias nublados. Estes são os dias da nostalgia. Vontade de chorar com ou sem os porquês. É o chorar para qualquer coisa. Chorar a alma para a dor esvair-se. Não sabemos qual dor. É ela, somente a dor. A dor vazia do vazio.
Não é a dor do amor de Camões, aquela “que nasce não sei onde e dói não sei porque”. A dor de amor é generosa.
Nestes dias doloridos, é deixar a angústia fluir, instalar a dor cruel do tédio. E depois voltar à renovação com a alma já esvaziada. Indolor.
Num destes dias li, na Obra Poética de Fernando Pessoa, este texto que é a tradução deste estado humano d’ alma.



Aconteceu-me do alto do infinito
Esta vida. Através de nevoeiros,
Do meu próprio ermo ser fumos primeiros,
Vim ganhando, e através estranhos ritos

De sombra e luz ocasional, e gritos
Vagos ao longe, e assomos passageiros
De saudade incógnita, luzeiros
De divino, este ser fosco e proscrito...

Caiu chuva em passados que fui eu.
Houve planícies de céu baixo e neve
Nalguma cousa de alma do que é meu.

Narrei-me à sombra e não me achei sentido.
Hoje sei-me o deserto onde Deus teve
Outrora a sua capital de olvido.
..

( PESSOA, Fernando. Obra Poética/ Cancioneiro. Aguilar. RJ, pág.127)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O saber

 Chamamos médicos, advogados, engenheiros, dentistas de doutores. Em verdade, são bachareis. Especializam-se em alguma área destas atividades.A partir do bacharelado, alguns tornam-se mestres e depois seguem para o doutorado. Há na vida acadêmica uma ordem: graduação - bacharel; pós-graduação latu-senso - especialista;pós-graduação strictu-senso - mestre e doutor.

Não é só na medicina, na advocacia, na odontologia e na engenharia que o título de doutor é pertinente. A rigor, o bacharel, o especialista, o mestre não são, a rigor, doutores. Mas, o uso do cachimbo faz a boca torta.O uso popular consagra. O consagrado pelo povo é inconteste. É sagrado.

Ter  os títulos de mestre e de doutor é uma necessidade do mercado. Não é uma busca espontânea, uma necessidade de conhecer a si mesmo para uma melhor compreensão existencial.

Conheço vários doutores. Aqueles que cursaram o doutorado. A maioria obteve o título em universidade pública. Academicamente, são doutores competentes na área do saber na qual se doutoraram.

Admiro-os. Respeito a tenacidade que tiveram para obter o título. Só quem passou por isso sabe o que é um orientador de dissertação do mestrado e/ou da tese do doutorado. Trata-se de um período de pesquisa, leituras e (re)leituras, escritos e (re)escritos, um ir e vir sem fim. Uma dor e uma angústia densas. Há muito choro e pouco riso. Terminado  este período, há a defesa da dissertação e/ou da tese. Uma banca é formada e começa o questionamento do trabalho apresentado. Um achismo sem fim. Finalmente, o título.

Fica um questionamento: para quê?

Com raras excessões, sem generalizar é claro, os egos inflam-se. O saber, titulado ou não,  é instrumento para a melhoria da qualidade da vida interior.Tornar-se um ser humano melhor, capaz de interagir com o semelhante é o princípio que norteia a ciência da educação em qualquer área do conhecimento .

O saber titulado, inflador do ego, agente da vaidade é inócuo, inválido, beira a idiotia. Principalmente, quando é patrocinado pelo ensino público, pago com nossos impostos.

É dever nosso, contribuintes, prestar mais atenção na formação destes mestres e doutores.

Qualquer ego inflado merece o desprezo. Merece ser defenestrado.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


"Uma bem desenhada ficção"


A bipolaridade do ser humano é o traço mais encantador do fato de sermos apenas humanos. Leitora do Barroco, aprendi a luta constante entre nossos opostos. Um não existiria sem o outro. Sem o ódio, não saberíamos o que é o amor. Não por acaso o poema Cântico Negro,de José Régio, é, dentre muitos outros, um dos meus prediletos.
O verso " nasci do amor que há entre deus e o diabo" traduz, para mim, a nossa fragilidade existencial.
Transcrevo, aqui, o que o jornalista Wanderley Soares publicou em sua coluna, no jornal O Sul, por ocasião do Natal de 2009. Um outro viés que nos coloca frente à nossa dualidade.


" Iguais
Aqui da minha torre, como um humilde marquês, todos os dias, tento descobrir os segredos dos escaninhos de um universo árido e amargo. Andejo dos becos da sarjeta aos salões da Justiça e, sem raridade, vejo, nos dois extremos, figurantes com princípios iguais. Em cada nova cena deste espetáculo imprevisível somente é possível ver que o leão nasce e morre leão, como acontece com a cobra, que nunca deixa de ser cobra.

A criatura humana, no entanto, traz, dentro de si, os instintos do cordeiro e da víbora. Nesta moldura, durante as festas religiosas - e, para os cristãos, o Natal é a comemoração maior - a idéia é a de que todos nós somos cordeiros irmãos. Trata-se, este momento, de um delicioso desejo e uma bem desenhada ficção. Valendo-me, então, deste hiato na aridez e na amargura do universo em que, a cada dia, vasculho, tento controlar, em mim, o cordeiro e a víbora e, sendo uma criatura comum, deixo aqui o meu poema e a mensagem de um Feliz Natal a todos os meus iguais".

domingo, 19 de julho de 2009

Festas e Calendários

Nunca me senti à vontade com as festas de datas marcadas: Natal, Ano Novo, Páscoa. Há em mim um tédio-cansaço. Reconheço, entretanto, que a energia dessas datas é bastante positiva. A palavra feliz está sempre presente. E o envolvimento acontece. Compramos presentes, bacalhau, peru, uvas brancas, vinhos, chocolates. O tédio está n'alma. Mas, a aparente alegria disfarça-o e vamos procurando a esperança que, bem lá no fundo, persiste. E assim vão passando natais, anos e páscoas.

Um jornalista de Porto Alegre, Wanderley Soares, enviou-me, em 2003, uma mensagem de Natal. Se bem me lembro Lula acabara de ser eleito. Poderia ter sido qualquer outro. Não há conotação política, pelo menos assim entendi. Há o entendimento do humano e do social. Achei-a ótima.

Aqui a transcrevo.

Se eu fosse
Se eu fosse o Lula,
numa MP permanente,
por via conseqüente,
instituiria, por mês,
um Natal candente,
mas sem presente.

Um Natal incondicional
de troca de abraços,
beijos, segredos,
e de confissões mútuas,
de perdão geral, total.

Se eu fosse o Lula
decretaria: janeiro, 25,
projetar sonhos loucos,
sem guerra, sem fome;
fevereiro, 25,
cantar para deus Sol,
mesmo sem saber cantar;
março, 25, cumprimentar vizinhos
carrancudos, mal-amados;
abril, 25, tomar banho de Lua
ouvindo música brasileira;
maio, 25, vestir uma mãe favelada
e rezar uma Ave Maria;
junho, 25, fazer uma fogueira
e dançar uma dança afro;
julho, 25, agasalhar
aos desarmados contra o frio;
agosto, 25, ler um poema
para quem não sabe ler;
setembro, 25, oferecer uma rosa
para uma prostituta pobre;
outubro, 25, abraçar uma árvore,
tomar banho nu, no mar, nos rios;
novembro, 25, tirar uma velhinha,
um velhinho e dançar de rosto colado;
E assim seriam onze Natais
com Cristo presente...
Dezembro, 25, deixar rolar
a alegria dos shoppings,
dos supermercados e dos bancos...
Ah!, se eu fosse o Lula